Hoje como quase todo dia vai ter acerto de contas, pobre novato desrespeitou a pessoa errada não demora muito e a hora chega, refeitório lotado, mas o meliante não se deixa intimidar e fura o inimigo bem no peito, com uma arma caseira, porém muito útil.A vítima fica esticada no chão esperando pela ajuda que chega tarde.
Então todos ouvem o sinal, todos sabiam o que fazer e foram direto para suas celas, era o confinamento, um procedimento padrão usado toda vez que havia mortes ou tentativas.Isso é muito comum em um ambiente hostil como esse, um ambiente onde negros, muçulmanos, italianos, irlandeses, japoneses, arianos, motoqueiros, hispânicos, gays, brigavam pelo poder.Cada facção tinha sua função, os arianos dominavam o correio, negros e italianos a cozinha, motoqueiros a oficina, muçulmanos a enfermaria.Cada um com seus pontos estratégicos, além da cozinha os italianos tem forte participação no trafico de drogas dentro do presídio.
Era mais um dia na prisão de segurança máxima, os negros jogavam basquete, os arianos dominavam os aparelhos de musculação, muçulmanos oravam, italianos pareciam tramar algo.Mas, separados desses presos por uma cerca com arame se encontram os presos condenados a morte, esses não tem direito a nada.
O horário do sol acaba, todos voltam para dentro da prisão.Ao caminhar para a entrada, os italianos começam a se movimentar em volta do líder ariano que sente uma cutucada em seu rim e logo cai no chão.A confusão começa brigas, socos, facadas, pedradas.Os primeiros a se envolver são os da baixa hierarquia das facções, os chamados soldados geralmente grandes e usando moletões e proteções improvisadas.
O circo esta armado, a confusão toma conta do presidio, a briga não se resumiu a italianos e arianos, pareciam que todos naquele momento queriam acertar contas.Os guardas se metem no meio, então todos os presos sabem o que fazer e de repente as facções se unem e começam a atacar os guardas que são minoria.
Após algumas horas o presídio esta totalmente tomado pelos presos, que torturavam os guardas, jogavam privadas abaixo, ateavam fogo, quebravam as mesas, estavam detonando o presidio.Todos estavam envolvidos, eles estavam tomados pelo ódio.Passadas algumas horas o exercito já se encontrava em volta da prisão, exigindo a libertação dos reféns.
-Aqui é o tenente, capitão Batista - anuncia no mega fone.
Os presos começam a gritar e a fazer barulho.
-Quero saber quem está no comando? - pergunta em um tom claro e alto.
Novamente os presos gritam eufóricos e começam a bater cadeiras e mesas.Mais privadas são arremessadas, colchões pegando fogo vão em direção aos carros dos militares.
-Nós vamos invadir.
Então, aparecem os chefes da revolta, dispostos a falar.Eram os quatro lideres das maiores facções do presidio.Os arianos, negros, italianos e os hispânicos, mas já era tarde as autoridades invadem o presídio, pondo no chão a porta de entrada junto com os objetos que foram postos para tentar conter a entrada.
Os policiais portando armas automáticas, bombas de gás, e seguindo uma ordem direta do governador, não vai sair nenhum rebelde vivo.É difícil descrever a cena que se passa a seguir, os detentos lutando sem armas a longo alcance e com facas e pedras, e eles estavam sendo mortos e sem dó nem piedade, um a um, alguns se ajoelhavam, esperando um pouco de compaixão, uma ingenuidade da parte desses que tomavam coronhadas, socos e tiros, claro que eram com balas de borracha, mas as balas iam no rosto, nas costelas e a dor era descomunal.
A única coisa que ouviam eram gritos e tiros, eles começaram ir atrás dos chefes da revolta, primeiro o ariano, que foi espancado por sete, além de socos e chutes, ele foi afogado na privada e levou cortes.
O segundo foi o hispânico, que levou golpes de cacetes nas pernas, na bacia e nas costelas, esse não sobreviveu.
Foram atraz do italiano, que conseguiu abater um dos guardas com um punhalada certeira na garganta, um corte fatal, mas ele só pegou um os outros o arremessaram janela a baixo, a morte foi instantânea.Enfim foram atraz do líder negro, esse teve o pior destino de todos, foi surrado e molestado com cabos de vassoura e foi colocados sem roupas naquilo que os guardas chamavam de gaiola, só que esta era diferente, ficava no sol, e ele ficou lá sofrendo por varias horas servindo de exemplo para os outros, fatalmente acabou morrendo.
Quando o diretor entrou no presídio este encontrava-se um verdadeiro caos, por onde ele andava ele via corpos, sangue, membros, e até cabeças.Pensava naquilo como uma cena do inferno, como se o capeta estivesse lá, sem falar no cheiro horrível de carniça.
Era cheiro de morte.Dirigiu-se ao pátio e encontrou todos os detentos restantes sem camisa e ajoelhados, todos machucados e sangrando, claramente precisavam de cuidados médicos, mas ele sabia, os presos sabiam que isso não ia acontecer tão cedo.
Então o dia foi se despedindo, para a chegada da noite.Ao amanhecer, os presos foram obrigados a trabalhar na reconstrução do presídio, que nunca mais foi o mesmo.Este foi um dia triste, que não será esquecido tão cedo, toda aquela brutalidade, toda aquela banalidade, toda aquela covardia, não trouxe vantagens para nenhum dos lados.
A reconstrução foi inútil, os detentos foram obrigados a se mudar para outros presídios, os guardas transferidos, alguns se aposentaram devido a ferimentos graves, ou ganharam medalhas de honra.
O lugar nunca mais foi o mesmo, e esta abandonado dizem que é mal assombrados pelas pobres almas que ali faleceram.
By: Azrael


