Bem vindos ao inferno.

Aqui é o lugar do macabro, dois autores escrevem o que vêm a sua mente monstruosa e não economizam bizarrices e absurdos. Leiam, se divirtam, fiquem assustados, chocados, e não durmam de noite ou poderão sonhar com Belzebu

domingo, agosto 08, 2010

Eu sei, elas também me perseguem.

Não deveria te contar, mas alguma coisa está me perseguindo, não é o que você está pensando, nenhum monstro ou alguém me espionando, me seguindo na rua ou algo do tipo, mesmo porque monstros não existem, são historinhas que contam para crianças não dormirem, também não é nenhum espírito ou algo do além.

Tudo começou quando cheguei de uma festa, era uma festa fantasia, todo mundo se divertindo, tinha ido de capeta, lógico meu personagem preferido, todo mundo tem medo, me sentia do mal, um psicopata, todos me olhavam vidrados, outros achavam engraçado e diziam "e ae satã como vão as coisas..", comecei a puxar conversa com uma menina que tinha ido de diabinha, me subiu uma sensação gostosa no corpo, sentia testosterona fluindo em mim esta noite, era a noite. Tudo estava lindo e maravilhoso, foi ae que aconteceu, tivemos relações, fomos para sua casa, ela me conto antes de eu ir embora, que tinha um fetiche enorme pela dor, eu não gostei daquilo achei estranho fiquei pensando que menina mais doente.

Alguns dias depois, indo ao bar muito popular de minha cidade, encontrar os bons e velhos amigos de conversa, ela estava lá, no meio deles, eles me falaram que ela estava me esperando, fomos conversar em um lugar mais privado, no estacionamento do estabelecimento, ela me contou que havia planejado uma noite imperdivel para mim hoje, que seu fetiche iria realizar-se, eu disse que gostaria de ir, mas nada com sessões masoquistas, ela insistiu, falou que iria ser coisa leve, brincaderinhas picantes, como pequenos beliscões e alguns tapinhas de leves.

- Tudo bem minha diabinha, vamos apimentar essa noite
- Você não vai esquecer essa noite, ela vai entrar em sua mente e te perseguir
- Então vamos começar nossa sessão de pecados

Fomos desta vez, para um lugar isolado, uma casa abandonada, que pertencia segundo ela a seu pai que agora jazia morto. Não me explico o motivo da sua morte, mas que eu me sentia estranho com tudo aquilo, não há como relatar. A porta da frente dava para um salão enorme, havia uma escada que conduzia para um quarto, no quarto como suspeitava havia varias ferramentas de masoquistas, chicote, correntes, grilhões, uma cama havia lá no fundo e o que me chamava atenção era velas negras dístribuidas em cada ponta das estrelas de um pentagrama que estava desenhado no chão, justamente embaixo da cama.

- Não se assuste, eu não sou má, faz tudo parte da nossa noite diábolica, meu amor

Deitamos, um em cima do outro, ela me conduziu em uma noite louca, mágica, me algemou, me fez carinhos pelo corpo inteiro, passou sua língua devagarinho por minha face, fez pequenas marcas de mordidas em meu braço, me despiu violentamente com suas unhas, estava tendo suspiros de satisfação, nunca pensaria que poderia ter prazer em estar em uma situação submissa.

A orgia rolava sem parar, não lembro que horas erão, mas acordei sobressaltado, pupilas regaladas, onde estava? Ah sim, ali estou algemado na cama ainda, mas cadê minha diabinha?  Por sorte as algemas erão falsas e consegui me soltar, sai em sua procura, encontrei-a no quintal, lá havia algumas laranjeiras e ela estava ali plantando

- Oi minha satãzinha, que está fazendo? Porque não me acordou antes?
- Ah amor estou plantando nossos filhos. Desculpa não ter avisado, mas eu sou diferente de você, obrigado por realizar meu desejo.
- Como? O que? Filhos? Diferente?
- Sim, eu peguei seu esperma, e agora estou plantando junto a essas sementes que foram do meu pai, e agora crescerão e nascerá nossos amores, eu sei não me olhe assim, já disse sou diferente, deixe me contar toda a verdade.
- Espere, isso está muito estranho, melhor acabarmos por aqui.
- Não vá, é muito importante para mim te contar isso
- Tudo bem, que seja conte logo, antes que eu mude de ideia

Seu pai era do exército, lutou em guerras para defender seu país, foi em uma batalha, que se escondeu em um túnel, achou um cómodo em que havia uma mesa com uma caixa em cima, que continha um saquinho de sementes e um bilhete que dizia: "para aqueles continuarem a linhagem do imperador das trevas, basta plantar essas sementes com a sementes do homem que teve relações com uma virgem"

- Meu pai foi um idiota ao acreditar nessa bobagem, jurou que iria me proteger e que faria isso se concretizar, mas eu não dava importância, até que ele morreu, me sentia culpada por isso, e sei que tenho um objetivo a cumprir, e graças a você, isso pode se tornar póssivel
- Bom está tudo muito interessante, mas preciso ir.
- Pode ir, sei como se sente, acha que sou louca, doente, paranóíca, tudo bem, obrigada

Alguns anos se passaram desde então, tinha esquecido dessa bobagem toda, que garota mais maluca e doente. Mas em uma tarde de Junho, passeando pela cidade, passo em frente aquela casa, começo a lembrar de tudo, e notei que uma árvore crescia lá nos fundos, por algum instinto eu precisava ver aquilo de perto.

Arrombei a porta e fui direito ao quintal, lá estava a árvore, seu tronco era vermelho, suas folhas douradas, e estava florescendo, suas flores lembravam rosas a não ser pelo fato de que das rosas saiam dedinhos, iguais a de recém-nascidos.

- Papá
- AHHHHHHHHHHHH!!!!!

Havia uma criança do meu lado, ela não era normal, tinha olhos vermelhos e sua testa tinha dois buracos que cresciam chifres, corri desesperado, queria esquecer tudo aquilo, precisava de uma bebida urgentemente.

- Aonde pensa que vai? - minha diabinha estava parada na porta de entrada voltada para mim - Você viu como nosso filhos estão lindos? Mas para crescerem e serem fortes como o senhor do submundo é preciso de sacrifícios, e elas precisam de você para comerem de sua carne e beberem de seu sangue.
- Sua louca doente, saía da minha frente AGORA!

Ela veio em minha direção com uma adaga na mão, eu fui mais esperto, desviei de seu ataque, peguei seu braço e o reverti em sua direção, fazendo a morrer com seu próprio golpe, corri para sair dali, escapar de tudo aquilo, enquanto ouvia mais crianças chegando em minha direção gritando "papá".

Fui viajar, morar longe daquela cidade, esquecer novamente de tudo isso, mas não adianta toda noite elas vem me perseguir em meus ouvidos: "papá estamos com fome, venha nos alimentar", sei que não posso abrir os olhos, depois que pego no sono, pois sei que estarão em cima de mim me mordendo, me mutilando, se alimentando, mas eu acordo apenas com dores internas e pequenas marcas de mordidas e feridas

Já estou acostumado, sei que meus pesadelos só terão fim quando eu me oferecer para meus filhos, você pode achar que é mentira, mas para mim não é, elas me disseram em uma noite que enquanto não me ofereço elas vão buscar outros corpos para se alimentar, elas invadem os pesadelos das pessoas que estão sufocadas pela raiva da rotina e se fortalecem assim, ferindo e machucando para continuarem vivas. Você não se lembra como surgiu aquela mancha roxa ou vermelha em seu braço ou perna? Eu sei, elas também me perseguem




By: Cérbero

Um comentário:

  1. Vai dá, muito foda esse conto, o mmelhor do blog, daria pra fazer um filme. O melhor *_*

    ResponderExcluir